terça-feira, 26 de janeiro de 2010

GRAVIDEZ GERA GENTILEZA

Tô adorando essa fase da minha barriga de 7 meses, que qualquer ser humano de cara vê que estou grávida. Além de ter o maior orgulho de ser mulher e poder gerar um ser dentro de mim, fico feliz em ver o respeito que uma grávida recebe na rua, tanto de desconhecidos como de amigos.

É uma delicia chegar no baixo gávea lotado e de repente aparecer uma cadeira sabe-se lá de onde para eu sentar. Aliás, em qualquer lugar as pessoas fabricam um banquinho para a grávida sentar e eu adoro.

Estou curtindo as pessoas me darem passagem na rua, nas filas e sempre com um sorriso. Estranhos me perguntam com carinho: É menino ou menina? Não quer sentar? Está tudo bem? Calor, não é mesmo?

Essa semana a expressão “rei na barriga” fez todo o sentido para mim. Estou com a rainha na barriga, ando por aí toda feliz, me achando super importante por ter a responsabilidade de estar gerando um outro ser humano. É para me achar mesmo...

Mas claro, que toda regra tem sua exceção e fiquei muito impressionada quando outro dia, na fila do banco, fui maltratada. Cheguei ao banco e mesmo com pressa, resolvi entrar na fila dos mortais, porque estava me sentindo bem e só tinha um homem na minha frente.

Como só tinham 2 caixas e as pessoas sendo atendidas estavam cheias de contas para pagar, tivemos que esperar um tempinho. Assim que uma das caixas foi liberada e o homem da minha frente finalmente iria ser atendido, a caixa me viu e pediu para que ele esperasse, porque eu estava grávida e deveria ir na frente dele.

Resolvi aceitar porque estava realmente apressada e o sorriso da caixa era acolhedor. O cara olhou torto e quando eu estava saindo foi super grosseiro com a caixa, perguntando se ela não queria passar mais ninguém na frente dele, que aquela cena tinha sido um absurdo. É mole? Esse cara não tem mãe não?

Fiquei tão chocada que soltei baixinho, sem que ele escutasse: “É lei, moço”. Enfim, fiquei feliz por ter aceitado usufruir da minha prioridade, porque esse cara merecia.

Mas como eu disse, atitudes como essa são uma exceção, pelo menos aqui no Brasil. Já ouvi dizer que nos EUA, por exemplo, é bem diferente e que nem lugar no metrô eles cedem. Para uma mulher grávida, é bom saber que apesar da violência do nosso país, a maioria das pessoas sabe ser gentil. Ainda há esperança...

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

MEGA SENA DA VIRADA


Falar sobre a mega sena da virada e ano novo é quase a mesma coisa.

Pra quem não sabe, vai ser sorteado no último dia do ano (hoje) a bolada de 140 milhões de reais! 140 milhões é vida nova para qualquer ser humano, não há como negar. Vivo falando que dinheiro não é tudo, mas que ajuda em uma nova vida, isso ajuda.

Se depois do prêmio a vida da pessoa vai mudar para pior (difícil imaginar isso) ou para melhor, não importa. Se ela não doar tudo para a caridade, a vida muda. Não há como negar.

Mas o legal de jogar é que mesmo que você não ganhe, só o fato de imaginar o que se vai fazer com o prêmio já vale a brincadeira. Tudo bem que essa aposta pode ser comparada as resoluções de ano novo, que muitas vezes não saem da nossa cabeça ou do papel.

Mas o bom do ano novo é essa sensaçãoo boa de sonhar nas infinitas possibilidade que o próximo ano pode nos proporcionar: dietas bem sucedidas, promoções no trabalho, casa nova...

Esse ano eu não tenho muita escolha, vou ser mãe, é um fato. Claro que ser mãe com 140 milhões na conta é bem diferente. Mas quando penso na minha filha, o dinheiro perde a importância. Quase (eu disse quase) torço para não ganhar na mega sena da virada, porque não quero uma mimada por aí. Não quero alguém que tenha tudo fácil, acho que tanto dinheiro pode prejudicar na educação, mas é apenas uma teoria que ajuda a me consolar caso meus números não sejam sorteados.

Quero ser uma boa mãe e isso nem 140 milhões podem me ajudar. Depende somente de mim.

Mas o bom mesmo é saber que assim como a mega sena é sorteada durante o ano todo, dando esperança (ou dando de fato) vida nova para mihares de brasileiros, nós podemos recomeçar sempre, toda segunda, toda manhã, toda hora, todo minuto. Basta ter a danada da força de vontade, que depende somente de você, com ou sem 140 milhões de reais.

Mas é claro que uma manhã de ano novo, pode ajudar muito na nossa força de vontade. Então vamos aproveitar para mudar logo na manhã do dia primeiro. Tá bem, o regime pode começar no dia 4, que é segunda feira e ninguém é de ferro.

Feliz Ano Novo!! Ainda dá tempo de jogar na mega sena. Boa sorte!


quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

AMIGO OCULTO

Sei que muita gente torce o nariz para a quantidade de amigo oculto que surge no final do ano. Eu não. Eu amo participar dessa brincadeira.

Primeiro porque eu a-d-o-r-o dar e ganhar presentes, mesmo que seja a tal lembrancinha. Na verdade, chego a conclusão de que o que me diverte mesmo é rasgar o papel, é saber que tem um presente ali dentro, que eu não sei o que é e que alguém escolheu especialmente pra mim.

O outro motivo de amar o tal do amigo oculto é porque eu acho genial você não ter que dar presentes para todos os seus amigos ou familiares. Basta comprar o presente de quem você sorteou. Todo mundo daquele grupo de pessoas queridas vai ganhar presente.

Esse ano, infelizmente, só estou participando de um amigo oculto e essas amigas só fizeram porque sabiam que eu ia ficar frustrada se não participasse de nenhum.

Mas como tudo na vida, devo admitir que o amigo oculto está longe de ser um jogo perfeito. Quer dizer, a regra é clara, se estipula um preço e as pessoas compram algo que tenha a ver com o amigo, mas nada é tão fácil.

Muitas vezes participam da brincadeira pessoas que você não tem muita intimidade e aí na hora do sorteio, o jeito é rezar para não tirar aquela pessoa que não é tão sua amiga. E é claro que tem sempre um espertinho que diz: “eu me tirei” e voltam todos os papeizinhos e se realiza um novo sorteio. E você, que tinha tirado aquela pessoa que você queria tirar, muito a contra gosto, mete o papel de volta no saquinho.

Hoje em dia, com o amigo secreto on line, esta prática está ficando cada vez mais difícil, já que quem faz o sorteio é o computador. Entrem lá, vale a pena: http://www.amigosecreto.com.br/

Os maiores inconvenientes, sem dúvida, acontecem na hora de abrir os presentes. Lembro que meu irmão uma vez ganhou de amigo oculto uma caixa de sabonetes. Coitado. Ele tinha uns 12 anos e esperava alguma coisa de criança, um jogo, um bonequinho, sei lá. O pobre tem trauma de amigo oculto até hoje.

Tem também aquelas pessoas que sempre ultrapassam o limite de preço estipulado e todos os outros da roda ficam de olho no sortudo que ganhou um super presente.

Mas  o pior mesmo é o esquecido, o que não leva o presente. Essa pessoa deveria entrar para uma lista negra de amigo oculto e ficar pelo menos 3 anos sem participar.

Mas quando os participantes da brincadeira se empenham em comprar um presente que tenha a ver com o amigo, quando o grupo de sorteados são realmente amigos, não tem como dar errado. O clima fica tão legal que mesmo depois de desembrulhar o papel, ainda que o presente não seja aquele que você queria, você vai abrir um sorriso. E não é falso. Afinal, a pessoa tentou, se lembrou. E esse é o espírito natalino, amor ao próximo, ao amigo oculto.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

EGOTRIP

Acredito que em toda profissão existam as pessoas que tem um ego tão grande que não conseguem reconhecer o trabalho que foi feito em equipe. Elas são tão geniais, que acreditam terem feito o trabalho todo sozinhas.

Na realidade, acho que existem vários tipos de “ególatras”. Tem o marketeiro, aquele que coloca a galera pra ralar, não reconhece o trabalho feito PARA ele, mas depois adora receber o crédito pelo trabalho assinado por ele, que nem sequer foi o coordenador, não aportou nada.

Claro que existe também aquelas pessoas que ralam e estão sempre se sentindo injustiçadas por não levarem  os créditos, mas não percebem que seu chefe foi quem coordenou tudo, que já passou por essa ralação e que, apesar de não parecer, seria impossível que a qualidade do trabalho tivesse ficado tão boa sem a sua supervisão.

Enfim, o trabalho em equipe é difícil e a tendência é que os trabalhos totalmente individuais fiquem cada vez mais escassos. Se precisa de aprovação, já não é um trabalho individual.

Mas o ponto que eu quero chegar é que ás vezes, sem perceber, nós não valorizamos o trabalho do outro, ou porque trabalhamos demais num projeto ou porque nosso ego é tão grande que menosprezamos as contribuições feitas, que muitas vezes apesar de pequenas, fizeram toda a diferença no resultado final.

Difícil controlar o ego em qualquer profissão como eu havia dito antes, mas quando se trata de televisão é ainda pior, tudo por causa dos créditos no final. Imagina se o trabalho de um cirurgião ou de um advogado, profissões que são conhecidas muitas vezes pelo superego, aparecessem em rede nacional?

Por mim, os créditos poderiam sumir. Fico satisfeita com o pagamento e o amor a profissão, como os professores, por exemplo, apesar do salário...

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

É O AMOR...


Ontem tive que escutar a seguinte frase de uma amiga: “Você anda com falta de assunto, já quase não atualiza o blog.” Na hora achei graça e concordei, mas no fundo eu sei o porquê de não estar escrevendo mais com tanta frequência.

Gosto de falar sobre o que estou vivendo, sobre o que sei, mas essa minha pseudo síndrome relutante de internauta vovó de insistir em ir contra a exposição da minha vida pessoal, fez com que eu não falasse sobre gravidez, que é o meu momento agora.

Mas não adianta mais lutar contra a exposição. Posso não ter meu perfil no Facebook/orkut, mas minha cara ta lá, no álbum de fotografia dos amigos.

Engraçado isso da gente ter que ir a favor da corrente ou até mesmo mudar de opinião. Fiquei pensando nas coisas que eu sempre “condenei” e que agora tenho um novo olhar. Tudo depende da fase em que você está vivendo.

Na minha fase atual, acho tudo que representa o amor, lindo. Sei que pode parecer piegas, e é. Mas já não olho torto quando vejo alguém na rua com uma camiseta com a foto bem grande do filho com frases do tipo: “Eu te amo” ou “Pai do ano”. Posso não chegar ao ponto de comprar uma dessas camisetas, mas certamente levarei uma foto da minha filha no meu celular e mostrarei de maneira inconveniente para todo mundo que eu encontrar, mesmo que a pessoa não tenha desejado ver.

O amor é brega, todos sabemos. Mas o amor homem e mulher eu já tinha descoberto que era assim. Tem coisa mais cafona que um casal apaixonado se chamar de apelidos e mudar a voz quando vão falar um com o outro!? Mas quando você é uma das pessoas que forma esse casal, tudo é maravilhoso.

Começo a entender minha mãe, que me fazia morrer de vergonha em cada competição de natação, com seus gritos de – preparem-se – “vai minha Deusa”, para que eu chegasse em primeiro lugar.

Fico pensando se vou colocar minha filha em situações embaraçosas e chego a conclusão de que sim. E certamente, também me porei em situações do tipo, quando ela fizer alguma coisa totalmente normal pra idade dela e eu achar que ela JÁ faz tal coisa e a considerar mais um gênio da humanidade.

Próximo passo? Criar um facebook quando ela nascer....

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

CULTURA INÚTIL

Nunca entendi as pessoas que compram o Livro dos Recordes, porque sempre me pareceu um livro de feitos bizarros, que não muda a vida de ninguém.

Na minha infância, eu acreditava que o tal do Guiness Book tinha apenas um exemplar. Era uma espécie de livro que guardava os fenômenos da humanidade. Hoje em dia, pode ser encontrado em qualquer livraria do país.

Tem lá os recordes pra gente sentir orgulho de ser brasileiro, como o do maior casamento realizado em uma prisão (Carandiru), o chimpanzé Tião, que é o primata mais votado no mundo numa eleição. Lembram dele? E o maior acarajé do mundo também é brasileiro.

O fato de eu não compreender o motivo das pessoas comprarem o livro, nunca me  tirou o impulso de folheá-lo sempre que vejo um exemplar na minha frente. Impossível me conter. E posso apostar que não existe um ser humano na face da terra que numa sala de espera, com o livro dando sopa em uma mesinha bem à sua frente, resista a ler pelo menos um dos recordes.

Não faço a menor idéia do porquê dos seres humanos sentirem atração por fatos bizarros. Outro dia li em algum lugar que se alguém fosse ler todo o conteúdo da internet (e isso inclui meu blog!) durante 14 horas por dia demoraria 57 mil anos, sem contar o conteúdo que seria publicado durante esses anos.

Na mesma hora acreditei nessa pesquisa, Mas quem pode realmente comprovar sua veracidade? E mais: no que essa pesquisa beneficiou a humanidade? Mas porque dá uma sensação boa saber sobre isso?

Acho divertida a mania que os meios de comunicação tem em comparar alguns fatos com voltas na terra. Chego a criar uma simpatia com o jornalista que se dá ao trabalho de fazer certas comparações. Como ele foi pensar nisso? 

“O dinheiro gasto em gasolina com os deputados federais em 2005, daria para dar 64 voltas ao mundo.” O primeiro sentimento ao ler uma notícia dessas é aquela velha revolta em relação aos políticos brasileiros e seus abusos. Mas, a verdade é que não tenho parâmetros para julgar o quão absurdo são esses gastos. Não sei de cor o número de deputados federais nem quantas voltas dá para dar ao mundo com o que eu gasto de gasolina por ano, se é que dá para dar alguma volta. Mas que dá uma revolta ler essa notícia, isso dá.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

VIAJE BEM, VIAJE VASP


Hoje, viaja-se muito mais de avião do que em qualquer outra época. Só para se ter uma idéia, diariamente mais de 4 milhões de pessoas viajam em vôos comerciais pelo mundo a fora.

Já não existe mais glamour em ter que chegar duas horas antes no aeroporto para vôos internacionais, enfrentar filas e depois disso ainda ter que sentar na cadeira mais desconfortável do mundo por 10 horas, pelo menos quando se viaja de econômica.

A tecnologia evolui, voamos até para a lua, a internet está aí, até o cinema 3D já chegou e as cadeiras de avião da classe econômica continuam desconfortáveis. É inimaginável que nenhum designer tenha desenvolvido uma cadeira confortável praquele micro espaço.

Sempre morro de pena quando vejo aquelas pessoas super altas tendo que se ajeitar na cadeira. Viajei uma vez com a seleção de vôlei brasileira e dava dó dos jogadores, que mal conseguiam sentar. Eu, que sou pequena, já sofro, imagina eles.

Não me esqueço uma vez também que um cara muito mas muito gordo, foi sentado do meu lado e de uma amiga minha até Madri na janela. Ficamos preocupadas de estar dormindo na hora em que ele quisesse ir ao banheiro. Mas o cara não levantou uma vez sequer. Ele ficou lá, estático, durante 9 horas, sem ir ao banheiro ou esticar as pernas nem uma só vez. O pobre deve se programar para agüentar uma viagem dessas.

Mas num vôo longo, o normal é ter que encarar o banheiro do avião pelo menos umas duas vezes. E pra mim, o pior é a descarga. Eu odeio descarga de avião! A impressão que tenho é que vou ser sugada. Fora isso, ainda tem o cheiro que fica impregnado naquele cubículo, além de ter que lavar as mãos naquela mini pia e pisar naquele chão sujinho. Mas não tem jeito, uma hora tem que encarar o danado do banheiro.

Sempre tento monitorar minhas idas para depois da hora do rush, que é logo após as refeições serem servidas. A fila, afinal, é pior do que a descarga. Você fica olhando para a cara das pessoas, pensando se estão ali para o número um ou o dois, se vão fazer a maior bagunça, se são limpinhas...

É curioso pensar que uma viagem de avião no século XXI ainda seja tão cansativa, para não dizer primitiva. Nem na comida eles melhoraram. É sempre uma quentinha horrenda, na maioria das vezes o pão vem frio e se alguém se arrisca a comer carne, parece que se você não comê-la, ela vai te comer antes.

Fora o avião, ainda tem o aeroporto e dependendo do país ou da neurose da época, as filas só aumentam. Tem que tirar sapato, abrir mala, e as perguntas são sempre as melhores: “Você tem alguma bomba, objeto cortante, explosivos na sua bagagem?” Ah, tá, até parece que um terrorista vai dizer que sim. Que pergunta imbecil, dá vontade de gritar!!

E ainda tem a clássica pergunta: “Foi você quem fez essa mala? Está levando alguma coisa para alguém?” É uma neurose que chega a ser risível. Imagina se um filhinho de mamãe responde: "Foi minha mãe que fez minha mala." Será que o cara é barrado? Sempre penso isso...

É, as férias estão chegando.... Vai encarar um vôo? Boa sorte! Pelo menos você não é um bichinho de estimação.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

UM TEMPO

Há pouquíssimos anos atrás marcar um almoço com um amigo era bem mais fácil. Você ligava para a casa da pessoa ou para o trabalho e combinava a hora e o restaurante. Pronto! Ambos chegavam  na hora combinada e almoçavam. Se um dos dois atrasasse, o outro esperava paciente. Simples, né?

Se a pessoa não estivesse em casa ou no trabalho, o máximo que se fazia era deixar um recado com a secretaria eletrônica ou física mesmo, pedindo para retornar a ligação.

Agora é assim: A pessoa liga pro celular do amigo direto, nem tenta em casa antes, independente do grau de amizade. Se o amigo estiver na rua, no supermercado, na espera do medico, ele atende. Sem o menor pudor pergunta-se aonde ele está e com quem. Depois do interrogatório, finalmente o almoço é marcado, como nos velhos tempos,  tem horário e lugar.

Mas antes de sair de casa, o amigo liga pro seu celular pra confirmar se você vai mesmo ao restaurante.

O amigo chega cinco minutos antes. Ele te telefona para dizer que já está lá e que vai procurar uma mesa. Você, já nervosa (o), acelera o carro. O trânsito está ruim. Você liga para o amigo avisando que vai atrasar 5 minutinhos.

Quando chega no restaurante, antes mesmo de procurar, mais um telefonema é feito. O amigo acena da mesa. Agora sim, vocês podem almoçar em paz, se o telefone não tocar, é claro.

Cansa só de pensar. Para um simples almoço hoje em dia, a média é de pelo menos 5 telefonemas!

A tecnologia, que veio para diminuir nosso trabalho, só faz com que ele aumente. Agora, algumas empresas dão um Blackberry  (telefone que acessa emails de qualquer lugar, caso alguém ainda não conheça) para seus funcionários e exigem, em troca, disponibilidade 24 horas, inclusive em viagens de fim de semana. Não querem mais desculpas do não acesso aos e-mails porque estavam distantes de um computador.

E o que é pior: as pessoas realmente acabam se viciando em checar e-mails a qualquer hora e lugar: no almoço, no parque, numa reunião de amigos... Uma vez fui ao cinema com um amigo meu do mercado financeiro e ele passou o filme inteiro trocando e-mail com o chefe dele, porque a bolsa sei lá aonde tinha caído. Queria matar o sujeito! Melhor nem entrar no cinema. Mas tudo é imediato. Nada pode esperar!!

O tempo não pára e ninguém dá um tempo também. Tudo é pra ontem.

A porcaria do telefone te acompanha em qualquer lugar. E o pior, se a gente esquece em casa é como se estivéssemos sem um membro. Um vicio terrível da modernidade.

Pior é que agora, com o telefone a la Skype, com câmeras, as pessoas vão se ver ao falar. Vai ficar complicado pra quem adora uma mentirinha, como dizer que já está chegando, quando ainda está em casa. Vão sofrer também os infiéis,  que fingem que ficaram até tarde no trabalho, quando estão numa noitada. Se bem que esses, certamente encontrarão um jeito de driblar a tecnologia.

Já existe inclusive, aparelhos que você pode configurar o som do fundo do celular para restaurante, academia, escritório...

É por essas e outras  que, por enquanto,  não habilito meu celular em viagens. Fico quase incomunicável. Apenas acesso aos emails, porque o vicio não me deixa desligar totalmente. Essa mania de querer mandar notícias da viagem logo depois de vivenciadas, realmente pegou. Não dá mais pra contar na volta. Na volta, a viagem já foi. A que ponto chegamos? Não conseguimos ficar nem 15 dias sem nos desligar do mundo totalmente. Que urgência é essa? Como dizia Raul: Parem o mundo que eu quero descer! Na verdade, queria só conseguir dar um tempo. 

terça-feira, 28 de julho de 2009

IDENTIDADE

Amo o meu nome. Não canso de falar isso. Obrigada, mãe. Mas estou ciente de que nem todo mundo é assim. Minha mãe, por exemplo, preferia ter tido outro nome na vida, apesar do sucesso da Ivete Sangalo ter diminuído a impopularidade do nome.

Quando era pequena, lembro dela dizer que já tinha conhecido um Ivete homem. Na época, fiquei espantada mas hoje acho que é coerente, realmente se termina com e ou com i, como determinar o gênero?

Sempre tive fascínio por nomes estranhos, uma curiosidade do porquê dos pais colocarem nomes “diferentes” nos filhos. Afinal, se você pensar com o cuidado que merece esse tema, vai ver que é coisa séria dar nome a alguém.

Eu tenho uma teoria de que dependendo do nome que se tem, sua trajetória de vida pode mudar, porque do jeito que o mundo é louco, alguém pode não te contratar por causa de um nome, ou seu nome pode ser um empurrãozinho para você ser uma atriz de sucesso, por exemplo.

Tem que pensar sempre nos mínimos detalhes antes de nomear um filho: se o nome começar com A, a criança vai ser sempre uma das primeiras na chamada do colégio e se tiver qualquer rima estranha, pode ser complicado. A criançada não perdoa na brincadeira. Já vi muita Paula sofrer com apelidos horríveis, e até mesmo um inocente nome como Breno, que rima com pequeno.

Tenho uma amiga dos tempos de colégio, que se chama Blanca e sempre que íamos a casa dela, quando adolescentes, o porteiro passava o interfone pra gente chamá-la, porque ele só conseguia dizer Branca (com r) e como uma amiga um dia ficou tentando ensiná-lo a pronunciar corretamente a primeira silaba - BLAN - o pobre, como não conseguiu, ficou traumatizado.

Nem mesmo o sobrenome escapa de uma brincadeira. Fiquei na dúvida se citava o caso de uma outra amiga, mas acho que ela já superou o trauma das brincadeiras do colégio. O nome dela é Bianca, mas um de seus sobrenomes é Della Nina. Sacaram? Biancadela. Mas tenho certeza que a mãe da Bianca não pensou na maldade dos amigos que a cercam. E como ela tem outros sobrenomes, virou mais uma molecagem, sem muitos danos psicológicos. Talvez depois dela ler isso aqui, mude um pouco. (espero que não!)

Mas “romântico” mesmo é quando os pais resolvem juntar os próprios nomes. Sai cada coisa, de chorar: Edson + Ilsa = Edilsa; Rose+Mario= Romário; Antonio + Jacira = Jânio e por aí vai...

Mas a verdade é que a criatividade impera e ninguém escapa. A brincadeira com meu nome, descobri recentemente, sem tempo para danos psicológicos. Estava no trabalho e ouvi uma das pessoas que trabalhavam comigo me chamar baixinho de Robestinha e atualmente minhas amigas deram pra me chamar de Alberta... Não tem como escapar...

Ps: Descobri um site hilário, que tem um apanhado nos cartórios do Brasil dos nomes mais estranhos. Se você também se interessa pelo tema, vale a risada, ou  o choro, caso encontre um xará: http://www.significadodosnomes.com/nomescuriosos.php

terça-feira, 21 de julho de 2009

REPRESENTE

Quem nunca repassou um presente que ganhou, que jogue a primeira pedra. Tenho a teoria de que mesmo os que odeiam essa prática de repassar presentes, se ainda não fizeram, um dia o farão. Ainda mais agora, em tempos de crise e movimentos ecológicos.

Ganhar presentes é muito bom. E melhor ainda quando a pessoa queimou a cuca para escolher um presente que combinasse com quem vai presentear, imaginando que o outro nunca iria pensar em trocar.

Aliás, vou abrir um parênteses para a troca. Porque tem gente que tem que trocar tudo o que ganha? Parece uma mania incontrolável. A pessoa ganhou, trocou. Conheço um caso de uma pessoa que já trocou o mesmo presente duas vezes. Ganhou, achou que não gostou, foi na loja, trocou, mudou de idéia e voltou ao primeiro presente!

Claro que a época do Natal é um clássico para aquela tia dar pela milésima vez um presente que não tem nada a ver com você. Será que ela ainda não percebeu que você odeia roupa estampada? Já te viu com alguma? Então porque insistir no presente?

E, na maioria das vezes o que acontece quando o presente vem errado é uma preguiça louca de trocar e é aí que entram os adeptos a prática de repassar o presente, que vou chamar aqui de regifters (os americanos sempre tem uma palavra chave pra todas as práticas, fazer o quê, realmente funciona).

Os regifters profissionais são os que quando ganham o presente que não querem, já imaginam na mesma hora para quem vão repassar, nem cogitam a possibilidade da troca. Eles também tem problemas em gastar dinheiro, como já é de se imaginar.

Os quase profissionais, são aqueles que de última hora se lembram que tem uma festa e que não vai dar tempo de comprar um presente. Esses nunca abrem uma caixa de chocolate finos que ganharam, guardam no armário já pensando em repassá-las numa emergência. “Chocolate é unissex”, pensam.

Já os amadores, entram em pânico quando tem uma festa que vai pegar muito mal se chegarem de mãos vazias e acabam dando um presente com a data de troca expirada. Neste caso, o aniversariante recebe, percebe, diz que adorou e garante que não vai trocar.

Eu já recebi um presente de uma pessoa do grupo 2, mas como não era muito profissional, quando abri a caixa de chocolates (impossível para mim, repassar chocolates), o chocolate estava velho. Olhei a data de validade e tinha expirado. Ah, obviamente era da Kopenhagen.

A sorte é que nos dias de hoje os movimentos ecológicos apóiam a prática da reutilização dos objetos. Então, regifters, aproveitem e se encham de orgulho por estarem fazendo um bem á humanidade. Mas atenção para a data de validade...

sexta-feira, 3 de julho de 2009

VESTIÁRIO FEMININO

Porque é tão desconfortável ter que tomar banho no vestiário feminino da sua academia? A principio, parece tudo normal: as mulheres, sempre ocupadas, tem que tomar banho no vestiário porque saem da academia e vão direto para o trabalho, buscar os filhos no colégio, enfim, resolver a vida.

Mas todo mundo sabe que em se tratando de mulheres, nada pode ser tão simples. A começar pelo desconforto ao ver aquela mulher que tem o dobro da sua idade e está com tudo no lugar, parecendo uma adolescente. E o pior, ela sabe disso. Tanto é que só usa a toalha para se enxugar, o resto do tempo desfila de calcinha ou mesmo sem nada...


Tem sempre também, no canto, a gordinha que fica tentando se enrolar na toalha o tempo todo, pra que ninguém a veja nua. É quase um malabarismo. Quando você pisca o olho, ela já está vestida.


Claro que existem mulheres que realmente não se sentem incomodadas e , independente do corpo, sentem prazer em conversar nuas na frente de um monte de desconhecidas, como se estivessem num coquetel.


Mulheres são engraçadas. Todas se arrumam com aquele ar blasé de “ eu estou aqui cuidando da minha vida”, mas no fundo já deram uma conferida no corpo de cada uma presente. E não é por maldade não. É quase um lado sádico-incontrolável da natureza feminina.

Olha-se para uma mais gorda do que você mesma e uma sensação boa de “não estou tão mal assim” aparece, avista-se uma mais magra e você jura que vai chegar lá. Mas quando se depara com um corpo fenomenal, aí o problema tem que ser detectado: ou a mulher nem é tão bonita assim ou ela não tem mais o que fazer da vida. E se descobrimos que tem, a pobre coitada não sabe o prazer que é sentar num restaurante e realmente pedir uma sobremesa.

Mas tão divertido quanto a preocupação com o corpo, são os cabelos. É no vestiário feminino que você descobre que aquela mulher de cabelos lindos, faz escova! E com uma prática de dar inveja aos melhores cabeleireiros da cidade...
E tem também aquela que mesmo mega suada, depois de malhar feito louca, entra no chuveiro e não molha o cabelo. É nojento, mas ela não quer chegar no compromisso dela com o cabelo natural, molhado, enfim, vai entender.

O pior de tomar banho em vestiários é lidar com o fato de que algum dia, entre os cremes para corpo e rosto, perfumes, toalhas, calcinhas e sutiãs, alguma coisa certamente será esquecida! Lavar o cabelo e não passar condicionador, deixa qualquer uma de mau humor. Mas acho que o pior é esquecer uma das peças intimas. Já vi mulheres tendo que ir sem calcinha para o trabalho.


Ah...o mundo dos vestiários femininos... Se você nunca esteve em um, vale a pena a experiência. Se você é homem, nunca saberá de verdade...

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Michael Jackson

Não estava preparada para a morte do Michael Jackson agora. Não mesmo. Pensei que isso fosse acontecer em 20 anos, mas não ontem. Nem sabia que ele sofria do coração. Na verdade, nunca soube muita coisa do Michael Jackson, mas sempre fui sua fã, de araque, devo confessar.

Só descobri hoje, lendo o jornal, que sua primeira plástica no nariz foi porque ele caiu num ensaio de cara no chão e quebrou o nariz. A plástica foi mal feita e ele teve problemas respiratórios, sendo obrigado a fazer outra em seguida.
Tudo bem que depois ele deve ter feito mais umas dez plásticas e ainda ficou branco. Ninguém até hoje descobriu o verdadeiro motivo dessas transformações e quem sabe agora esse segredo será desvendado.

O fato é que Michael Jackson marcou minha infância. Lembro que meu irmão tinha a fita cassete dele, e ouvíamos sem parar. Obviamente compramos aquelas sapatilhas pretas para fazer a dancinha moonwalk, que virou uma febre mundial. Mas nenhum ser humano do mundo dança como ele. Dá prazer ver ele dançar, fazer a mexidinha no pescoço, aquela rebolada no quadril e os pés que parecem ter vida própria...

Tenho certeza que ele morreu sem saber a responsabilidade que teve pela corrida nos cartórios das cidades brasileiras (talvez do mundo) para homenageá-lo. Nasceram inúmeros Maicos, Maiquels e Maicons no Brasil. Recorde de vendas de discos, recorde de nomes no cartório.


Quando era pequena, torcia para que exibissem trhiller, o melhor clipe de todos os tempos. Depois, na adolescência, não perdia a estréia mundial de seus vídeos, exibidos pelo fantástico em primeira mão. Foi assim com Bad e o Black or White.


Mas também foi lendo o jornal, que descobri que ele escreveu em apenas um dia a letra da música We are the World. Sei que até hoje é difícil pra muita gente admitir que deixou uma lágrima de emoção cair quando assistiu ao clipe pela primeira vez, com todos os astros pops da época pedindo ajuda para as crianças com fome na África. Definitivamente o cara era um gênio e gênios são excêntricos.

terça-feira, 9 de junho de 2009

PARA BOM BEBEDOR, MEIA GARRAFA BASTA

A ressaca é justa. Acho que isso ninguém pode negar. Não é só beber e sofrer, tem que exagerar na bebida para sofrer uma punição. Além do mais, a ressaca não faz distinção de cor, de sexo e nem de idade.

E, é incrível, como mesmo sabendo que podemos enfrentá-la, ainda assim bebemos. Na hora é a maior diversão. Você nem lembra que a ressaca existe, mas no dia seguinte, ela te pega. Sorrindo.

O engraçado (ou triste) é que tem aquele momento crucial, que no fundo você sabe que se beber mais um, vai perder o controle. É como uma criança desobediente, que testa a mãe. Só que, testamos a nós mesmos. Vai entender o ser humano?!

É claro que a quantidade de bebida varia de organismo para organismo. Os que estão acostumados, geralmente tem que beber mais para a ressaca atacar. Pode parecer injusto com os que bebem pouco, mas não é. A ressaca é do bem, é uma militante contra o álcool. Como não quer que ninguém vire alcoólatra, ela pune com mais severidade os inexperientes, “para não caírem no vicio”, como diria a avó de alguém 

E com esse temperamento, que deixa todo mundo com dor de cabeça, não tenho dúvida de que se trata de uma mulher...Dona Ressaca.

Obviamente, como já é de praxe, algumas pessoas tentam driblá-la. Ser humano quer se dar bem sempre, até em cima da distinta Dona Ressaca.

Lembro que uma amiga de faculdade tinha (ou tem) a teoria de que deve manter-se bêbada para não ter ressaca. Depois de encher a cara num churrasco na casa do meu pai, que é fora do Rio, essa amiga, enquanto todos tomavam café, amanheceu com uma latinha de cerveja nas mãos (!) Mas aposto que a D. Ressaca, nesse momento sorriu. Ela sabia que uma hora chegaria e ia caprichar....

Se prevenir tomando bastante água, ou com um engove antes e outro depois, pode ajudar, mas não mata a D. Ressaca.

Aliás, ela não morre jamais. Ela pode até sumir por uns tempos, ou simplesmente não receber mais um convite para visita. Mas quando solicitada, apesar de chata, é recebida sempre  bem: com água de côco, pãezinhos e sucos, apesar das constantes promessas de que “é a última vez que essa mulher põe os pés aqui “. Mas, sei lá, acho que as pessoas acabam se apegando e de vez em quando bate uma saudade...

quinta-feira, 4 de junho de 2009

TENHO UM E-MAIL, LOGO EXISTO

Apesar de ter um blog e viver na internet, tenho me sentido um peixe fora d’água do mundo virtual.

Nos primórdios da rede, usei MIRC, ICQ, tinha um e-mail da família que eu mesma tinha providenciado, sempre fui super antenada com tudo o que estava surgindo. E na verdade, ainda gosto: sei o que é twitter, orkut, facebook, ou seja, meu problema tá longe de ser com a tecnologia.

A verdade é que me sinto exposta. Não sei se é uma reação antiquada, como quando o celular surgiu e um amigo meu, que tinha teletrim (lembram do pager?), dizia com firmeza que não se renderia ao celular, que isso era uma forma de controle. Hoje em dia ele tem celular com internet!

É incrível como a tecnologia, especialmente os computadores e a internet vão tomando conta da gente, do nosso trabalho, do nosso tempo. Eu vivo no computador e já não vivo mais sem ele. Quase ninguém vive. Escrevo aqui, inclusive, para essas pessoas...

Mas fiquei pensando em como a internet mudou nosso comportamento social. Hoje, é normal exibir na rede fotos de sua privacidade, tem até o fotolog, criado especialmente para isso.

É como se todo mundo tivesse a chance de ter uma foto publicada num jornal que é distribuído no mundo inteiro. Acho que devemos estar vivendo uma espécie de valorização do individuo, em que cada um tem a chance de “ ver e ser visto”, como as celebridades expostas na revista Caras. Os velhos 15 minutos de fama.

Tá tudo na internet, pra quem quiser ver: viagem, família, trabalho ... Tem gente que até discute relacionamento em blog, fotolog, tudo super normal e civilizado. Hoje, o homem já não liga para a mulher depois do primeiro encontro, ele deixa uma mensagem no Facebook, como aconteceu com uma amiga recentemente. Claro, que depois de ter clicado em todas as fotos dela.

E que mal tem isso? Nenhum. Mas o que me acrescenta esse tipo de comportamento? Mais amigos? Popularidade? Exposição? É, definitivamente estou com pensamentos retrógrados e pretendo mantê-los, mesmo tendo que encarar que o jeito de se comunicar mudou, junto com o sentido de privacidade. 

Continuarei sem resposta para quem perguntar o meu endereço de orkut, facebook, twiiter. Mas, ei, tenho um blog e um e-mail, porque aí já é uma questão de existência.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

TEORIA DO AMOR

Domingo no calçadão é uma maravilha! Nem sei se eu já escrevi isso antes, mas é um dos meus programas favoritos da cidade. Só ficar lá, sentadinha no meio fio, que os amigos passam e vão, ficam ou nem param para falar. Delicia.

E foi num dia desses de domingo de sol, que a mãe de um amigo de faculdade passou e parou, com a noticia de que um amigo meu havia se casado. Minha reação foi instantânea:

- Casou? Até que enfim. Ela foi a única pessoa que ele beijou na vida! Estão juntos desde sempre...

Resposta sábia:

- E vc acha isso muito ou pouco?

Resposta impulsiva, para não dizer outra coisa:

- Tempo demais.

- Pois eu estou com meu marido desde os 15 anos.

Obviamente chamei ela de exceção.E o pior, eu sei que o casamento dela não é desses de fachada ou de conveniência. Conheço a familia. Eles realmente são companheiros. São felizes! Coisa rara para um casal hoje em dia.

A felicidade a dois é possível com o primeiro cara que você beijou, ou mulher, no caso de meu amigo! Incrível, né? Todo mundo tem mil teorias de que é melhor ter conhecido outras pessoas para que o relacionamento atual dê certo. Eu mesma tenho várias.

O bom é dar uma rodada para conhecer a estrada, dizem os mais experientes. Mas e se você decide ter apenas um co –piloto na estrada dos relacionamentos? Vocês se dão bem, ele vale ouro, para que arriscar perdê-lo? Porque os outros acham que isso é certo?

Sempre olhei torto para os casais que se formam na sétima série e acabam indo parar no altar. Julgava que eles estivessem perdendo parte da vida, que fosse pura acomodação ou medo de arriscar. Tão bom o primeiro beijo, o primeiro olhar. E eles realmente só tiveram um primeiro beijo, um primeiro olhar...

Pensando friamente, realmente os considero uma exceção. Mas a verdade é que as exceções mudam a regra, porque sempre são mencionadas. Mas qual a regra, quando se trata de relacionamento amoroso?

Quando o tema surge numa mesa de bar, pipocam exemplos dos mais diversos para diferentes situações. Gente que namorou dez anos, casou e se separou. Casais formados em poucos meses que se casaram e viveram felizes para sempre, gente que nem casou e é mais feliz do que quem casou, gente que vive num conto de fadas, gente que se separou na lua de mel... Tem de tudo.

Esse papo todo me fez chegar a conclusão de que realmente, quando se trata de amor, não dá para teorizar muito e nem mesmo o meu velho companheiro, o bom senso, funciona. Escrevi tudo isso, para chegar a essa conclusão?! Já fui melhor nisso...

terça-feira, 12 de maio de 2009

MANIA

Antigamente, eu me considerava uma pessoa sem muitas manias. Mas depois, descobri que não passava de ilusão. Existe alguém na face da terra que não tenha uma mania sequer? Se a pessoa não tem mania, provavelmente a mania dela é essa.

Tenho tantas manias que prefiro falar das manias dos outros. Para não dizer que não contei nem uma sequer das minhas, vou dar uma resposta de miss, ou de ator quando vai ao Domingão do Faustão: uma das minhas manias é ser organizada no trabalho.

Mas as manias do mundo, são muito mais complexas (e interessantes) do que essa. Outro dia, um amigo meu cismou que tinha que ter um bar dele. Não que ele fosse comprar um, mas queria virar freqüentador assíduo. Foi uma vez no bar do Chico e Alaíde e na segunda vez já estava dizendo: Vamos lá no meu bar?

Essa mania é clássica de carioca. Uma pessoa bem próxima de mim (não quero comprometer ninguém com nomes), pensa que é dono da praia de Ipanema, porque freqüenta desde pequeno.

Uma outra amiga, acha que o Baixo Gávea é a sua segunda casa. E o mais interessante é a reação que temos quando o lugar faz uma mudança, pinta uma parede, muda alguma coisa no cardápio. Como assim? Sem a minha autorização?

Acho que o maior maníaco foi quem inventou as superstições. Provavelmente ele não agüentava ver as coisas fora de ordem e começou a inventar os motivos mais absurdos para que as pessoas se organizassem: chinelo virado - a mãe morre. Bolsa de mulher no chão - o dinheiro acaba. Abrir guarda chuva dentro de casa - trás má sorte. Como assim?! Mesmo sem fazer o menor sentido, já vi pessoas com doutorado indo desvirar chinelo.

Meu irmão tinha um amigo que antes de sair do quarto apagava as luzes três vezes. Não é a toa que o apelido dele é “maluco”. Mas antes de se excluir dessa categoria, pense bem: não teve uma vez sequer que você entrou na casa ou até no escritório de alguém e ajeitou um quadro torto na parede?

Tem manias que a gente tem e nem percebe, como a de entortar a cabecinha para o lado quando se olha no espelho. Essa, quase todas as mulheres tem e, vão por mim, é difícil livrar-se dela. A cabeça parece ter vida própria e inclinar-se sozinha.

As manias irritantes também são muitas: estalar dedos, fazer barulho com a garganta e por ai vai... Mas, irritante mesmo são as pessoas que ao invés de te chamarem pelo nome, que existe para isso, resolvem te cutucar nos ombros com as pontinhas dos dedos e em seqüências de três cutucões por segundo. Me dá nervoso só de imaginar.

É mania que não acaba mais. Mania de bicho, de molhar a pasta de dentes antes de escovar. Tem mania para todos os gostos, até de escrever e ler blog...

quarta-feira, 29 de abril de 2009

QUEM É VOCÊ?

Por mais que tentemos ser pessoas sem preconceitos e desprovidas de futilidade, é quase inevitável não controlar nossos pensamentos em relação ao outro. Porque estamos sempre julgando? Será que isso faz parte da natureza do ser humano?

Você está andando na rua, alguém te pede informação. Se é uma moça muito bem vestida, de salto alto, tailler impecável, a primeira dedução é de que ela provavelmente é uma executiva bem sucedida. 

Nosso olho funciona como um scanner, que coloca cada pessoa que nos relacionamos em uma categoria.

Temos mania de julgar aonde quer que a gente esteja. Se uma gostosa da academia gosta de usar um daqueles macaquinhos colantes com um buraco nos dois lados da cintura, ela provavelmente é uma biscateira.

Não vou seguir com os exemplos porque muitos podem parecer preconceituosos. E são. Somos preconceituosos, julgamos o outro muitas vezes no primeiro olhar. Dependendo do uniforme que usam, nem lhe damos a chance de mostrarem quem são.

Esse “instinto natural” que o ser humano possui (ou adquiriu ao longo da evolução?!), certamente explica a atitude de alguns vendedores que não atendem um cliente bem somente pela sua aparência. Explica, mas não justifica.

Tem até aquela lenda urbana do cara que foi comprar um carro ultra caro na concessionária, usando apenas uma regata, bermuda e chinelo. Nenhum vendedor queria atendê-lo, até que um fez a “gentileza” e ele pagou a vista e acabou levando o carro mais caro.

Talvez esse hábito seja algo moderno, ou talvez seja algo antigo. Afinal de contas nossa sociedade está evoluindo, o elevador social pode ser freqüentado por todos, já se pode casar de tênis sem ser uma ofensa e ter tatuagens já não é mais um tabu.

Mas tenho a impressão de que essa mania de julgar tomou proporções tão grandes que, antes de serem julgadas, as pessoas tratam de mostrar rapidamente em que grupo querem ser encaixadas: patricinhas, marombeiros, intelectuais, super cools...

Porque temos que rotular todo mundo, inclusive nós mesmos? Escrevendo isso, pensei na mesma hora naquelas meninas que sem dinheiro suficiente para comprar o rótulo de patricinhas, compram bolsas falsificadas, se matam para comprar um vestido em 12X e mesmo assim acabam sendo rotuladas como “paraíbas que queriam ser patricinhas”

É duro. Mas é verdade. Aqui no Rio, pelo menos, temos a mania de chamar de paraíba a qualquer pessoa que não se encaixe no nosso “padrão de qualidade”, seja ele qual for.

Mas como se veste a pessoa que é bom coração? Ou aquela amiga (o) que vai estar ali para qualquer hora que você precise? Ou até mesmo o melhor funcionário de uma empresa? Um artista plástico pode usar blusa para dentro?

É por isso que eu adoro aqueles filmes de comédia que um personagem é enfeitiçado e começa a ver todas as barangas lindas, porque ele enxerga a beleza interior das pessoas.

Tá certo que esses filmes são preconceito puro, porque o cara sempre termina com uma feia de bom coração.  Mas a lição é sempre boa: Não vamos nos embarangar por dentro...