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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

CULTURA INÚTIL

Nunca entendi as pessoas que compram o Livro dos Recordes, porque sempre me pareceu um livro de feitos bizarros, que não muda a vida de ninguém.

Na minha infância, eu acreditava que o tal do Guiness Book tinha apenas um exemplar. Era uma espécie de livro que guardava os fenômenos da humanidade. Hoje em dia, pode ser encontrado em qualquer livraria do país.

Tem lá os recordes pra gente sentir orgulho de ser brasileiro, como o do maior casamento realizado em uma prisão (Carandiru), o chimpanzé Tião, que é o primata mais votado no mundo numa eleição. Lembram dele? E o maior acarajé do mundo também é brasileiro.

O fato de eu não compreender o motivo das pessoas comprarem o livro, nunca me  tirou o impulso de folheá-lo sempre que vejo um exemplar na minha frente. Impossível me conter. E posso apostar que não existe um ser humano na face da terra que numa sala de espera, com o livro dando sopa em uma mesinha bem à sua frente, resista a ler pelo menos um dos recordes.

Não faço a menor idéia do porquê dos seres humanos sentirem atração por fatos bizarros. Outro dia li em algum lugar que se alguém fosse ler todo o conteúdo da internet (e isso inclui meu blog!) durante 14 horas por dia demoraria 57 mil anos, sem contar o conteúdo que seria publicado durante esses anos.

Na mesma hora acreditei nessa pesquisa, Mas quem pode realmente comprovar sua veracidade? E mais: no que essa pesquisa beneficiou a humanidade? Mas porque dá uma sensação boa saber sobre isso?

Acho divertida a mania que os meios de comunicação tem em comparar alguns fatos com voltas na terra. Chego a criar uma simpatia com o jornalista que se dá ao trabalho de fazer certas comparações. Como ele foi pensar nisso? 

“O dinheiro gasto em gasolina com os deputados federais em 2005, daria para dar 64 voltas ao mundo.” O primeiro sentimento ao ler uma notícia dessas é aquela velha revolta em relação aos políticos brasileiros e seus abusos. Mas, a verdade é que não tenho parâmetros para julgar o quão absurdo são esses gastos. Não sei de cor o número de deputados federais nem quantas voltas dá para dar ao mundo com o que eu gasto de gasolina por ano, se é que dá para dar alguma volta. Mas que dá uma revolta ler essa notícia, isso dá.